Golpe do precatório: como funciona e como evitar fraudes

O aumento no número de processos judiciais e precatórios também trouxe um crescimento preocupante das fraudes envolvendo credores e advogados. O chamado golpe do precatório normalmente acontece quando criminosos acessam informações públicas dos processos e entram em contato com as vítimas se passando por advogados, servidores da Justiça ou representantes de empresas.

Os golpistas utilizam documentos falsificados, perfis clonados no WhatsApp e cobranças indevidas para convencer a vítima a realizar pagamentos ou compartilhar dados bancários.

Por isso, entender como essas fraudes funcionam é essencial para evitar prejuízos financeiros e proteger seus direitos.

Como funcionam os golpes envolvendo precatórios?

Grande parte dos golpes começa com o acesso dos criminosos às informações públicas disponíveis nos processos judiciais. Dados como: nome das partes, número do processo, advogado responsável, tribunal, tipo de ação e fase processual podem ser encontrados em consultas processuais abertas ao público.

Com essas informações, os golpistas entram em contato com o credor afirmando que:

  • o pagamento do precatório foi liberado;
  • existe um valor disponível para saque;
  • será necessário pagar uma “taxa”;
  • há urgência para evitar perda do valor.

Na maioria dos casos, os criminosos tentam criar um senso de urgência para impedir que a vítima confirme as informações com o advogado verdadeiro ou diretamente no Tribunal.

Esse tipo de fraude não acontece apenas em precatórios. A mesma estratégia já vem sendo utilizada em ações trabalhistas, aposentadorias, revisões do INSS e diversos outros processos judiciais.

Segundo o Conselho Nacional de Justiça, golpes envolvendo processos judiciais e falsos advogados vêm crescendo em todo o país, especialmente através do WhatsApp e de documentos falsificados.

Inclusive, vale conferir também o conteúdo sobre golpes na Justiça do Trabalho, já que muitas das táticas utilizadas são semelhantes.

As 3 táticas mais comuns usadas pelos bandidos

Os criminosos utilizam estratégias cada vez mais sofisticadas para enganar credores e advogados envolvidos em processos judiciais. Em muitos casos, os golpes parecem extremamente reais, utilizando dados verdadeiros do processo, documentos falsificados e até perfis clonados no WhatsApp.

A seguir, veja quais são as fraudes mais comuns envolvendo precatórios e entenda como identificar os sinais de alerta antes de cair em um golpe.

1. O falso advogado no WhatsApp

Essa é uma das fraudes que mais cresceram nos últimos anos e, atualmente, representa um dos principais golpes relacionados a processos judiciais e precatórios.

Os criminosos aproveitam a facilidade de acesso às informações públicas dos processos para criar abordagens extremamente convincentes. Em muitos casos, eles já possuem:

  • nome completo da vítima;
  • número do processo;
  • nome do advogado verdadeiro;
  • valor aproximado do crédito;
  • tribunal responsável pela ação.

Com essas informações, os golpistas criam um perfil falso no WhatsApp utilizando:

  • foto do advogado real;
  • nome do escritório;
  • logotipo da empresa;
  • identidade visual semelhante à original;
  • linguagem jurídica convincente.

Em situações mais graves, o WhatsApp do profissional pode até ser clonado, aumentando ainda mais a aparência de autenticidade da conversa.

Após o primeiro contato, a vítima normalmente recebe mensagens informando que:

  • “o dinheiro foi liberado”;
  • “o juiz autorizou o pagamento”;
  • “o alvará já saiu”;
  • “o valor estará disponível hoje”.

Em seguida, o criminoso tenta induzir a vítima a:

  • realizar pagamentos;
  • enviar documentos pessoais;
  • confirmar dados bancários;
  • fazer transferências via PIX;
  • clicar em links suspeitos.

O principal objetivo é gerar urgência e impedir que a pessoa consulte diretamente o advogado verdadeiro ou o Tribunal.

Esse tipo de golpe é extremamente versátil e vem sendo aplicado em:

  • ações trabalhistas;
  • processos previdenciários;
  • revisões do INSS;
  • indenizações;
  • inventários;
  • precatórios federais e estaduais.

O uso do WhatsApp transmite uma falsa sensação de proximidade e confiança, principalmente quando o criminoso utiliza informações reais do processo. Por isso, é fundamental desconfiar de mensagens inesperadas envolvendo liberação de valores judiciais.

2. A cobrança de “taxas” antecipadas

Outra prática bastante comum no golpe do precatório é a falsa cobrança de taxas para suposta liberação do pagamento judicial.

Nessa modalidade, o criminoso informa que:

  • o precatório foi liberado;
  • o alvará já está pronto;
  • o dinheiro está “em fase final” de pagamento.

Porém, antes da transferência do valor, a vítima é informada de que precisa quitar uma pendência financeira urgente.

Os golpistas costumam inventar cobranças como:

  • taxa cartorária;
  • imposto judicial;
  • taxa de liberação;
  • custo operacional;
  • taxa do Banco Central;
  • custas processuais finais;
  • honorários adicionais;
  • “taxa de desbloqueio” do valor.

Normalmente, os pedidos de pagamento vêm acompanhados de:

  • forte pressão psicológica;
  • mensagens urgentes;
  • ameaças de cancelamento;
  • promessas de liberação imediata após o PIX.

Após o pagamento, o contato desaparece e o suposto valor judicial nunca é recebido. É importante reforçar que o Poder Judiciário não exige depósitos antecipados via PIX para liberar precatórios, RPVs ou alvarás judiciais.

Além disso:

  • tribunais não solicitam pagamentos por WhatsApp;
  • juízes não entram em contato diretamente para cobrar taxas;
  • valores judiciais não dependem de “desbloqueios” mediante transferência.

Sempre desconfie quando houver:

  • pedidos urgentes de pagamento;
  • cobrança para liberar dinheiro;
  • transferência para contas de terceiros;
  • PIX em nome de pessoas físicas desconhecidas.

Na dúvida, confirme todas as informações diretamente com seu advogado de confiança.

Saiba mais: Precisa saber o contato de um advogado? A DigCap ensina como

3. Documentos e ofícios falsificados

Para tornar a fraude ainda mais convincente, muitos criminosos enviam documentos falsificados que simulam comunicações oficiais da Justiça.

Esses materiais costumam ser produzidos com aparência extremamente profissional e, à primeira vista, podem parecer verdadeiros até para pessoas acostumadas com processos judiciais.

Entre os documentos falsificados mais comuns estão:

  • PDFs adulterados;
  • alvarás fraudulentos;
  • decisões judiciais falsas;
  • comprovantes inexistentes;
  • ofícios falsificados;
  • despachos inventados;
  • supostas ordens de pagamento.

Os golpistas normalmente utilizam:

  • brasões da República;
  • logotipos do Tribunal de Justiça;
  • símbolos do TRF;
  • carimbos falsos;
  • assinaturas falsas de juízes;
  • linguagem técnica jurídica;
  • números processuais reais.

Em alguns casos, os criminosos também alteram documentos verdadeiros para incluir:

  • valores inexistentes;
  • contas bancárias fraudulentas;
  • cobranças falsas;
  • instruções de pagamento via PIX.

O objetivo é simular credibilidade e convencer a vítima de que o processo realmente chegou à fase de pagamento.

Por isso, nunca confie apenas em documentos enviados por:

  • WhatsApp;
  • e-mail;
  • SMS;
  • aplicativos de mensagem.

Antes de tomar qualquer decisão:

  • consulte diretamente o advogado responsável;
  • confirme a movimentação no site oficial do Tribunal;
  • verifique se os documentos realmente existem no processo judicial.

Essa simples verificação pode evitar prejuízos financeiros e impedir que informações pessoais caiam nas mãos de criminosos.

Outras táticas que também vêm sendo utilizadas

Além das fraudes mais conhecidas, criminosos também utilizam:

  • links falsos para “consulta processual”;
  • páginas clonadas de tribunais;
  • falsas empresas de antecipação de crédito;
  • pedidos de atualização cadastral;
  • boletos fraudulentos;
  • engenharia social por telefone.

Em alguns casos, os golpistas chegam a criar sites muito parecidos com páginas oficiais para capturar dados pessoais e bancários das vítimas.

Criminosos usam a tecnologia a seu favor para aplicar golpes cada vez mais elaborados.
Criminosos usam a tecnologia para aplicar golpes cada vez mais elaborados.

Como se proteger do golpe do precatório?

Com o aumento das fraudes envolvendo processos judiciais, adotar medidas de segurança se tornou fundamental para evitar prejuízos financeiros e vazamento de dados pessoais. Embora os golpistas utilizem técnicas cada vez mais sofisticadas, alguns cuidados simples podem ajudar a identificar abordagens suspeitas e reduzir significativamente os riscos.

A principal recomendação é manter a calma e sempre confirmar qualquer informação diretamente com fontes oficiais, especialmente quando houver pedidos de pagamento, urgência excessiva ou promessas de liberação imediata de valores.

Nunca pague para receber

Desconfie de qualquer pedido de depósito antecipado relacionado à liberação do precatório. Transferências urgentes via PIX, boleto, TED e contas de pessoas físicas são fortes sinais de fraude.

Desconfie da urgência

Os criminosos costumam pressionar emocionalmente a vítima com frases como:

  • “precisa pagar hoje”;
  • “o prazo termina em uma hora”;
  • “o juiz pode cancelar”;
  • “você vai perder o valor”.

Esse senso artificial de urgência é uma das principais ferramentas utilizadas pelos golpistas.

Consulte o Tribunal

Sempre confirme as informações diretamente nos canais oficiais do Tribunal responsável pelo processo. Os tribunais disponibilizam consultas processuais online para verificar:

  • movimentações;
  • expedição de precatórios;
  • RPVs;
  • alvarás;
  • pagamentos.

Você também pode buscar informações no portal do Conselho Nacional de Justiça, que frequentemente divulga alertas sobre golpes envolvendo processos judiciais.

Ligue para um advogado de confiança

Se receber qualquer mensagem suspeita:

  • não realize pagamentos;
  • não envie documentos;
  • não compartilhe dados bancários.

Entre em contato diretamente com seu advogado utilizando um telefone já conhecido anteriormente – nunca apenas o número informado na mensagem recebida.

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A única forma legal de antecipar o recebimento de um precatório antes do pagamento pelo governo é através da cessão de crédito judicial.

Nesse modelo, o titular do crédito negocia seus direitos de recebimento com uma empresa especializada, mediante contrato formal e segurança jurídica.

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